domingo, 11 de outubro de 2026

Catarina Maria de Oliveira celebra 70 anos com fé, emoção e uma história marcada pelo amor ao próximo

Festa na Estância Oliveiras, na região da Raizama, reuniu familiares e amigos em uma celebração que destacou a trajetória da cuiabana, sua dedicação à comunidade, à proteção de crianças e adolescentes e à preservação da cultura tradicional de Cuiabá.

A história de uma pessoa não é contada apenas pelos anos vividos, mas também pelas vidas que ela toca ao longo de sua caminhada. Foi com esse sentimento que Catarina Maria de Oliveira celebrou seus 70 anos neste sábado, 10 de outubro de 2026, na Estância Oliveiras, propriedade da família na região da Raizama, zona rural de Cuiabá.

Cuiabana, funcionária pública e apaixonada pela cultura e pelo povo cuiabano, Catarina recebeu familiares, amigos e pessoas que fizeram parte de sua trajetória para uma comemoração marcada pela fé, pela gratidão e por homenagens que emocionaram os presentes.

A programação começou com um café da manhã, acompanhado do tradicional quebra-torto, costume característico da vida rural mato-grossense. Às 10h30, foi celebrada a Santa Missa pelo padre Deusdedith Monge de Almeida, em um momento de oração e agradecimento pela vida da aniversariante. Na sequência, os mais de 500 convidados participaram de um almoço comunitário preparado com fartura: foram disponibilizados 10 costelões e mais de 400 quilos de carne. A festa prosseguiu com música e baile, celebrando a vida e o reencontro entre pessoas queridas.

Uma vida dedicada a cuidar de pessoas

Um dos momentos mais emocionantes aconteceu após a missa, quando familiares apresentaram uma homenagem que resumiu a essência de Catarina: uma mulher que faz do cuidado com o próximo uma das principais marcas de sua existência.

Filha de Venâncio Reis de Oliveira e Felícia Monge de Oliveira, ambos já falecidos, Catarina carrega consigo o legado deixado pelos pais, que permanece vivo nos filhos, nos netos e nas gerações da família que construíram.

Ao lado dos irmãos Maria, Nicolina, Luiz Carlos, Almindo e Emília, Catarina construiu sua própria história, mantendo uma característica muito especial: a capacidade de aproximar pessoas, preocupar-se com quem está ao seu redor e estar presente quando alguém precisa de ajuda.

 
Na homenagem, os familiares lembraram que ela é aquela pessoa que pergunta se está tudo bem, que quer saber do que o outro precisa, que procura soluções e que, muitas vezes, coloca as necessidades alheias à frente das próprias.

Sua trajetória profissional e comunitária confirma esse compromisso. Durante muitos anos, Catarina foi coordenadora da catequese na Paróquia de São Gonçalo do Porto, contribuindo para a formação religiosa de crianças e jovens e ajudando a fortalecer a fé cristã. Também atuou como conselheira tutelar em Várzea Grande, trabalhando na defesa dos direitos de crianças e adolescentes.

Há quase 30 anos, dedica sua vida profissional ao sistema socioeducativo de Cuiabá, como agente prisional, enfrentando situações que exigem responsabilidade, firmeza e, sobretudo, humanidade.

Mas, como destacaram seus familiares, os cargos e as profissões não são suficientes para definir quem é Catarina. Sua história também está nas lembranças de quem recebeu seus conselhos, encontrou conforto em suas palavras ou foi acolhido quando mais precisava.

Irmã, tia, madrinha, amiga e para muitas pessoas, uma verdadeira mãe. Uma mulher que demonstra que a maternidade também pode se expressar pelo carinho, pela proteção, pela presença e pelo compromisso de ajudar alguém a encontrar um caminho melhor.

A emoção de quem recebeu seu carinho

A homenagem ganhou um significado ainda mais profundo quando um dos afilhados de Catarina, Aparecido, foi convidado a entregar-lhe um buquê de flores, representando a gratidão de tantas pessoas que receberam seu apoio ao longo da vida.

A história dos dois começou quando Aparecido ainda era criança e frequentava o Lar Meninos do Futuro. Naquela época, Catarina ofereceu carinho, atenção, conselhos e apoio. O tempo passou, ele cresceu, tornou-se trabalhador e pai de família, mas não esqueceu a importância daquela presença em sua vida.

Em seu depoimento, Aparecido emocionou os presentes ao agradecer pelo apoio recebido desde os 10 anos de idade, destacando que mesmo após os 40 anos de idade, continua reconhecendo o valor dos conselhos, do companheirismo e das palavras de conforto que recebeu.

Ele ressaltou que Catarina foi fundamental para ajudá-lo a seguir um caminho melhor e afirmou que continuará ao lado dela, sempre que estiver ao seu alcance. Seu testemunho representou a gratidão de tantos afilhados, sobrinhos, amigos e familiares que encontraram nela uma referência de acolhimento e orientação.

Amizade construída no trabalho e na missão de servir

A trajetória profissional de Catarina também foi lembrada por um colega do sistema socioeducativo, que afirmou conhecê-la há 18 anos, desde que ingressou na instituição e passou a trabalhar com ela na unidade feminina.

Em sua fala, destacou a satisfação de compartilhar com Catarina a missão profissional e recordou momentos de convivência que fortaleceram os laços de amizade entre ambos e a família dela. Ao final, desejou que Deus continuasse abençoando sua vida, permitindo que permanecesse por muitos anos como essa pessoa especial.

O depoimento mostrou que o compromisso de Catarina com as pessoas não se limita ao ambiente familiar: ele também se manifesta nas relações de trabalho, na parceria cotidiana e na dedicação a uma atividade profissional que exige equilíbrio, responsabilidade e sensibilidade humana.

Guardiã das tradições cuiabanas

Se o cuidado com as pessoas é uma das marcas de Catarina, o amor pela cultura regional também ocupa um lugar especial em sua história.

Seu primo, Thiago Pedroso, compartilhou lembranças da participação dela nas festividades das comunidades rurais de Cuiabá, ressaltando sua disposição para colaborar com iniciativas que mantêm vivas as tradições locais.

Entre as recordações, destacou uma experiência recente de produção artesanal de um biscoito de milho tradicional da região, cujo preparo leva oito dias. A atividade, realizada ao lado de Catarina, foi lembrada como uma experiência de convivência e valorização dos saberes transmitidos entre gerações.

O relato reforçou a importância de pessoas que não apenas apreciam a cultura cuiabana, mas também participam ativamente de sua preservação, contribuindo para que receitas, costumes e conhecimentos tradicionais continuem fazendo parte da identidade das comunidades rurais.

Fé que atravessa gerações

A dedicação de Catarina à Igreja e à formação religiosa também foi lembrada por uma amiga que a conhece desde os 12 anos de idade, dos tempos da Paróquia de São Gonçalo do Porto.

Ela recordou a caminhada de Catarina na catequese, sua atuação junto a crianças, jovens e adultos e o empenho em aproximar as pessoas de Jesus Cristo, fortalecendo a fé e incentivando uma vida melhor.

Ao falar sobre a aniversariante, destacou sua simplicidade, humildade, alegria e disposição para ajudar. Também brincou com o hábito de Catarina de fazer tudo bem cedo, uma característica tão conhecida entre as pessoas próximas que, segundo a amiga, quem convive com ela precisa acompanhar seu ritmo.

A mensagem terminou com votos de saúde, perseverança e bênçãos divinas, em reconhecimento a uma amizade construída ao longo de décadas e alicerçada na fé.

Dona Tetê, uma segunda mãe

Outro depoimento especialmente emocionante foi o de Dona Terezinha de Almeida Barros (dona Tetê), considerada por Catarina uma segunda mãe e que aos 87 anos, fez questão de comparecer à comemoração, mesmo enfrentando dificuldades de audição e locomoção após uma pneumonia.

Com a voz carregada de carinho, ela contou que considera Catarina como uma filha e recordou a contribuição que teve em sua formação, inclusive para que concluísse os estudos. Destacou a calma, a obediência e a dedicação da afilhada, além do amor que seus filhos e netos sentem por ela.

Dona Tetê também lembrou que Catarina é madrinha de sua primeira neta e que a família guarda até hoje as recordações dos gestos de carinho que ela dedicava às crianças.

Em uma demonstração de afeto que emocionou os presentes, afirmou que fez questão de comparecer à festa porque tem uma enorme paixão por Catarina. Ressaltou ainda que toda a família da aniversariante sempre a acolheu e respeitou como se ela fosse parte da própria família.

Sua presença aos 87 anos, apesar das dificuldades enfrentadas, foi uma das imagens mais significativas da celebração: uma demonstração de que o amor, a gratidão e os vínculos construídos ao longo da vida são capazes de superar qualquer obstáculo.

Gratidão pelos 70 anos de vida

Diante de tantas homenagens, Catarina agradeceu a presença de todos e manifestou sua felicidade por compartilhar uma data tão importante ao lado de pessoas queridas.

A comemoração mostrou que seus 70 anos representam muito mais do que uma marca no calendário. São décadas de experiências, trabalho, fé, amizades e dedicação a pessoas que, de diferentes maneiras, foram alcançadas por sua generosidade.

Na Estância Oliveiras, entre a Santa Missa, a mesa farta, as recordações e o baile, a aniversariante recebeu o reconhecimento de quem conhece de perto sua caminhada. Cada depoimento revelou uma faceta diferente de sua personalidade: a profissional comprometida, a catequista, a defensora dos direitos de crianças e adolescentes, a mulher ligada às tradições cuiabanas, a irmã, a amiga, a madrinha e a mãe de coração.

Aos 70 anos, Catarina Maria de Oliveira celebra não apenas o tempo vivido, mas também o bem que semeou ao longo de sua história. E talvez o maior presente recebido naquele sábado tenha sido perceber que seu legado continua vivo nas pessoas que ajudou, nas tradições que preserva e no carinho daqueles que fazem questão de caminhar ao seu lado.

Porque algumas pessoas deixam lembranças. Outras deixam exemplos. Catarina, pelas histórias compartilhadas durante sua homenagem, deixa um pouco dos dois e a certeza de que uma vida dedicada ao próximo permanece presente muito além de uma data comemorativa.






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